Não esquecemos: 10 anos do 8 de novembro

Há 10 anos houve possivelmente a maior manifestação de professores do Mundo (em termos relativos): 8 de março com repetição a 8 de novembro.

Ou seja, 120 000 professores numa manifestação em Lisboa seria o equivalente a 600 000 professores numa manifestação em Paris (e isso nunca aconteceu). F

IZEMOS HISTÓRIA MAS NÃO BASTA FAZÊ-LA, QUEREMOS TRANSFORMAR EFETIVAMENTE A REALIDADE A FAVOR DE QUEM TRABALHA NAS ESCOLAS.

Por isso mais do que assinalar meramente esta data, consideramos que depois do que aconteceu na recente luta/greve docente de junho e julho é fundamental perceber por que também em 2008, mesmo com 120 000 professores na rua, a classe docente não saiu vitoriosa contra a Ministra Maria de Lurdes Rodrigues e a maioria das suas políticas anti-educativas.

O QUE FALTOU PARA OS PROFESSORES GANHAREM?
Nesse dia, perante 120 000 docentes na rua, os sindicatos tradicionais uniram-se mais uma vez num “plano de luta” claramente insuficiente de manifestações regionais para finais de novembro e apenas 1 dia de greve para o ano seguinte, a 19 de janeiro 2009 (levando previsivelmente a luta dos professor@s a esmorecer e dando tempo de recuperação à Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que, ao não ser derrotada, foi depois implacável com a classe docente) http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=313&doc=3733&mid=115

MAS A CLASSE DOCENTE EM 2008 QUERIA UMA LUTA + FORTE?
A 11 de novembro 2008, quando docentes da região de Braga, legitimamente revoltados com o insuficiente “plano de luta” de 8 de novembro, marcam (infelizmente sem o apoio de nenhum sindicato) um plenário de professor@s onde apareceram mais de 600 colegas. Nesse plenário, onde tod@s os colegas puderam falar, foi aprovado democraticamente (apenas com 3 votos contra) uma greve até a ministra e a sua política caírem. Obviamente os colegas do plenário, sabendo que não podiam marcar greves, apelaram a todos os sindicatos docentes para que, pelo menos algum, marcasse rapidamente, enquanto havia mobilização dos docentes, a greve decidida democraticamente por tantos colegas. Mais uma vez, todos os sindicatos se uniram (contra a vontade da classe) e marcaram apenas 1 dia de greve e apenas para meados de dezembro…http://horariosescolares.blogs.sapo.pt/80612.html
Se nenhum dos sindicatos docentes tradicionais quis respeitar a decisão deste plenário regional (o maior de sempre) por que não marcaram plenários regionais semelhantes em novembro de 2008? Por que não quiseram ouvir a vontade da classe docente quando havia mobilização?

SE O S.TO.P. EXISTISSE EM 2008 ESSA LUTA TERIA SIDO COMPLETAMENTE DIFERENTE!

A unidade que o S.TO.P. defende é a unidade com os professores que estão diariamente nas escolas e não a unidade nas “cúpulas” muitas vezes contra a vontade da maioria da classe. Como demonstrámos em junho/julho e apesar das constantes calúnias, não temos qualquer agenda partidária ou outra, por isso, quando havia condições, ousámos fazer o que ainda não tinha sido feito. No S.TO.P. quem manda são os professores e mais ninguém.

Acreditamos que a nossa classe tem memória e sobretudo futuro, por nós e pelos nossos alunos/filhos/netos!

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