Um líder não intimida e o alerta dos Açores

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Nas últimas semanas fomos contactados por sócios, recebemos denúncias e lemos publicações, segundo as quais, alguns colegas, foram chamados pelas direções escolares para cumprirem o seu horário de trabalho na escola, sem serviço distribuído, nas interrupções letivas de Natal. Mas o mais caricato e grave é que, tudo indica, estas “chamadas” de alguns diretores, não terão sido para todos os professores, mas apenas para alguns professores que têm lutado mais (nomeadamente através de greves). Isto a confirmar-se tratar-se-á de um claro abuso de poder e uma perseguição inadmissível a quem luta (de uma forma 100% legal) pelos seus legítimos direitos.

Há que ter presente que os professores nunca estão, nem estiveram de férias neste último “Natal”, como os alunos. Todos os professores sabem disso e os diretores, se não perderam a noção do que é ser professor, também! Para além da sobrecarga de trabalho na 1ª metade de dezembro, na qual todos nós ultrapassamos – e muito – as 35h, seguimos em maratona de fecho de período com avaliações de todos os parâmetros, para cada um dos alunos, atribuímos classificações, preenchemos informações, grelhas, preparámos e realizámos reuniões, atas e, em vários casos, entre outros, até sínteses descritivas individuais. Com a interrupção, não desaparece o trabalho de casa para o professor durante a qual há que planear e preparar aulas/avaliações…

Simultaneamente também tivemos conhecimento que, pelo menos os sindicatos dos professores dos Açores, posicionaram-se contra o Estatuto do aluno da Região Autónoma dos Açores (recentemente aprovado pelo PS, PCP e BE), no qual os estudantes do ensino básico e secundário passam a ter direito a “usufruir, em parte do período de interrupção letiva, de um plano de recuperação de aprendizagens”. Logo à partida é altamente perverso obrigar os professores que atribuem níveis negativos – já somos sujeitos a uma crescente pressão em prol de “metas de sucesso” -, a ter trabalho suplementar durante as interrupções letiva. Depois da sobretaxa, somos confrontados agora com (mais) uma sobrecarga letiva! Atualmente os professores quando apresentam propostas de níveis negativos (e há risco de retenção), naturalmente, já discutem e aprovam o plano de recuperação, com as estratégias inerentes para tentar contrariar o insucesso escolar de cada aluno. Além do mais, qual a motivação/concentração que esses alunos terão em aprender quando sabem que os seus colegas estão de férias (além do estigma social que pode acarretar para alunos/famílias)?

Esta medida, por enquanto, atinge apenas os Açores mas, se nada fizermos rapidamente, poderá abranger todo o território nacional.

Face a estas duas situações o S.TO.P. enviou, mais uma vez, um convite a todos os sindicatos/federações docentes para ver a sua disponibilidade em JUNTAR FORÇAS contra mais estas injustiças (1).  Mas também aqui demonstramos que somos um sindicato diferente: não somos sectários e NÃO DESISTIMOS de tentar JUNTAR FORÇAS contra as injustiças que atingem a nossa classe docente!

 

(1) Como convidámos por duas vezes na luta contra o amianto escolar, em fevereiro e março, na luta em defesa dos colegas das AEC; em abril, na manifestação nacional de 19 de maio, na greve às avaliações no final do ano letivo, na manifestação nacional de 5 de outubro e… Lamentavelmente nenhum sindicato/federação docente quis juntar forças e o único sindicato que nos respondeu e aceitou reunir connosco foi o SIPE (e mesmo isso aconteceu uma única vez).