14 anos do 8 de novembro de 2008: NÃO ESQUECEMOS

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Há 14 anos em Portugal houve a maior manifestação de sempre de professores do Mundo (em termos relativos). Ou seja, 120 000 professores numa manifestação em Lisboa seria o equivalente a 700 000 professores numa manifestação em Paris (e lá nunca aconteceu nada semelhante). FIZEMOS HISTÓRIA MAS NÃO BASTA FAZÊ-LA, QUEREMOS TRANSFORMAR EFETIVAMENTE A REALIDADE A FAVOR DE QUEM TRABALHA NAS ESCOLAS.
 
O QUE FALTOU PARA OS PROFESSORES GANHAREM?
Nesse dia, perante 120 000 docentes na rua, os sindicatos tradicionais uniram-se mais uma vez num “plano de luta” claramente insuficiente de manifestações regionais para finais de novembro e apenas 1 dia de greve para o ano seguinte, a 19 de janeiro 2009 (levando previsivelmente a luta dos professores a esmorecer e dando tempo de recuperação à Ministra Maria de Lurdes Rodrigues, que, ao não ser derrotada, foi depois implacável com a classe docente). Ver provas aqui: http://www.fenprof.pt/?aba=27&cat=313&doc=3733&mid=115
 
MAS A CLASSE DOCENTE EM 2008 QUERIA UMA LUTA + FORTE?
A 11 de novembro 2008, quando docentes da região de Braga, legitimamente revoltados com o insuficiente “plano de luta” de 8 de novembro, marcam (infelizmente sem o apoio de nenhum sindicato) um plenário de professores onde apareceram mais de 600 colegas. Nesse plenário, onde todos puderam falar e fazer propostas, foi aprovado democraticamente (apenas com 3 votos contra) uma greve até a ministra e a sua política caírem. Obviamente os colegas do plenário, sabendo que não podiam marcar greves, apelaram a todos os sindicatos docentes para que, pelo menos algum, marcasse rapidamente, enquanto havia mobilização dos docentes, a greve decidida democraticamente por tantos colegas. Mais uma vez, todos os sindicatos se uniram (contra a vontade da classe) e marcaram apenas 1 dia de greve e apenas para dezembro…
 
Se nenhum dos sindicatos docentes tradicionais quis respeitar a decisão deste plenário regional (o maior de sempre) por que não marcaram plenários regionais semelhantes em novembro de 2008? Por que não quiseram ouvir a vontade da classe docente ENQUANTO havia mobilização?
 
SE O S.TO.P. EXISTISSE EM 2008 ESSA LUTA TERIA SIDO COMPLETAMENTE DIFERENTE!
A unidade que o S.TO.P. defende é a unidade com quem está diariamente nas escolas e não a unidade nas “cúpulas” muitas vezes contra a vontade da maioria da classe. Continuamos a ajudar a construir um novo tipo de sindicalismo onde quem manda são as pessoas que trabalham nas escolas em DEFESA DE UMA ESCOLA PÚBLICA DE QUALIDADE E COM SEGURANÇA PARA TODOS.
 
Como demonstrámos por diversas vezes, nomeadamente na histórica greve às avaliações de 2018, se o S.TO.P. existisse em 2008, teríamos tido pelo menos um sindicato a dinamizar as lutas consequentes pretendidas por quem trabalha nas escolas enquanto havia mobilização. Este novo tipo de sindicalismo, apesar dos brutais ataques de que foi alvo (do governo mas também de outros responsáveis dentro da classe), já contribuiu para vitórias importantes como na luta dos colegas das AEC (maio 2018), luta/greve contra o amianto escolar (out-dezembro 2019), a conquista de mais Assistentes Operacionais (setembro 2020), etc.
 
Acreditamos que a nossa classe tem memória e sobretudo futuro, por nós e pelos nossos alunos/filhos/netos! A partilhar: JUNTOS SOMOS + FORTES!