ESCOLAS na pandemia: prioritárias mas desconsideradas?!

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O governo anunciou, recentemente, um novo confinamento e, as escolas, são consideradas essenciais, mantendo o seu funcionamento normal. Mas não tenhamos dúvidas, a situação atual é diferente da emergência que atravessamos no ano letivo anterior.

Neste momento temos um plano nacional de vacinação que, ao que tudo indica, não previu a situação atual de agravamento da pandemia e, por outro lado, a concretização das medidas – que visavam dotar as comunidades educativas com meios dar uma resposta adequada a uma possível nova etapa de E@D -, estão muito aquém do anunciado e necessário.

A realidade ajuda a perceber porque, contrariando a tendência europeia e a opinião de vários especialistas, o Governo sequer pondere encerrar as escolas por um determinado período no nosso país. Porque o Estado/Ministério de Educação estão a falhar, uma vez mais, com as comunidades educativas.

1ª questão: Por que razão os Profissionais da Educação não constam do plano de vacinação?! Somos considerados prioritários para o funcionamento das escolas e da economia mas, paradoxalmente, somos desconsiderados em termos de plano de vacinação (independentemente da opinião de cada um sobre a eficácia da vacina).

Isto é respeito? Ou o Estado estará a contar que os professores não se deem ao respeito?

Esta questão indignante já está a ser levantada por muitos cidadãos e especialistas, como por exemplo, o infecciologista Silva Graça no Telejornal da RTP1

– No sentido da defesa dos Profissionais de Educação, defendemos a revisão do plano de vacinação, incluindo, com urgência, o direito a toda comunidade escolar ser incluída na primeira fase de vacinação. Caso contrário, para além do desrespeito implícito, poderemos cair no cúmulo em que temos cidadãos vacinados (e bem), em casa em teletrabalho e, por outro lado, Profissionais da Educação (sector particularmente muito envelhecido) na linha da frente, sem vacina.

– Recordamos que está ainda por esclarecer o facto de não se ter testado a comunidade escolar, gratuitamente, com os testes oferecidos pela Cruz Vermelha. Neste momento crítico, voltamos, como fizemos recentemente nas reuniões com o M.E., a alertar para a necessidade de testagem de toda a comunidade educativa e (se for necessário) interromper por uma semana o ensino presencial.

2ª questão: Onde estão os meios informáticos adequados e anunciados (por exemplo, os computadores)?! O Estado/Ministério da Educação anunciou com pompa e circunstância uma série de medidas para preparar as comunidades educativas em qualquer eventualidade no contexto da pandemia, como uma previsível 2ª e 3ª vaga.

O Estado estará a prever, à semelhança da EMERGÊNCIA do ano transato, que haja alunos novamente sem acesso ao direito fundamental à Educação?

Estará a contar que os Profissionais de Educação tenham e utilizem os seus próprios meios como se do Estado se tratassem (o que já foi realizado e denunciado pelo S.TO.P. no 3.º Período do ano passado)?

Por que motivo, as escolas têm de continuar permanentemente abertas – para todos e a todo o custo-, colocando na prática ainda em maior risco de rutura os nossos serviços de saúde e os seus profissionais?

Plano de Transição Digital: setembro

Mau grado os anúncios e os valores apresentados para a Transição Digital na educação, a realidade foi bem diferente ao longo do 1.º período. Os equipamentos existentes continuam obsoletos na sua grande maioria, os kits tecnológicos tardaram a chegar às escolas, apenas no final do primeiro período, e em número manifestamente insuficiente face às necessidades apuradas durante o primeiro confinamento.

O apuramento do Plano de Capacitação Digital de Docentes apenas começou há dias. As ferramentas de que dispomos para o E@A são as mesmas que disponhamos em Março.  

Nota: A resposta à formulação da 2a questão tem por base a leitura do artigo: https://www.publico.pt/…/escolas-ficarao-abertas-falta…


Colegas, neste sentido, e antes de mais, fizemos chegar estas questões mais urgentes à DGS, Ministério da Saúde e Ministério da Educação e ao gabinete do Primeiro Ministro.

 

Se tivermos qualquer resposta por parte dessas entidades iremos publicar para que todos os Profissionais da Educação tenham direito a essa informação.

Estamos, como sempre, disponíveis para ouvir as propostas de luta de cada profissional de educação e de cada estabelecimento escolar: JUNTOS SOMOS + FORTES também a exigir RESPEITO pela saúde de todos que trabalham (e estudam) nas Escolas!