STOP descaramento!

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    Se por um lado é de louvar a iniciativa da RTP na realização do debate sobre «A falta de professores», não podemos deixar de assinalar o convite a um dos principais rostos das políticas (des)educativas que levaram à situação catastrófica atual (não esquecemos o ministro Crato e outros tutelares de má memória).

    Todos sabemos que Maria de Lurdes Rodrigues (MLR) foi ministra da Educação durante vários anos e protagonista de vários ataques com danos irreversíveis (até hoje) contra a classe docente e a sustentabilidade do sistema educativo de qualidade para todos.

    Entre outras, consideramos particularmente inaceitável a afirmação que MLR proferiu durante o programa: “Não sei como chegámos aqui assim. Não sei e não quero saber”. Trata-se de uma provocação que, para além de revelar descrédito, é de um profundo descaramento e cinismo.

    A hipocrisia e o silêncio, numa espécie de “descalçar a bota”, tem marcado os sucessivos governos e ministérios de educação e, até hoje, não foi apresentada pela tutela nenhuma solução plausível e realista.

    Pelo contrário procurou-se (enquanto se conseguiu) iludir a opinião pública, ora com taxas de natalidade, ora com a desvalorização sucessiva da carreira docente (redução do número profissionais de educação, ilusórias diminuições de alunos por turma, sobrecarga de trabalho…), sempre em detrimento da imagem e qualidade de vida dos professores.

    Da nossa parte temos a consciência tranquila, e não deixamos, como nunca deixaremos de tentar contribuir para a solução. Desde o início da nossa existência e desde a 1ª reunião com o ME, procuramos provocar a mudança e apresentamos propostas para tornar a carreira docente mais atrativa e sustentável, como por exemplo: vinculação pelas reais necessidades do sistema educativo; o fim de uma avaliação injusta/artificial com quotas e das ultrapassagens; concursos, salários e descontos justos para a SS; a diminuição do excesso de trabalho burocrático ou supostamente não letivo; contabilização de todo o tempo de serviço congelado da classe docente; redução efetiva do número de alunos por turma e medidas para combater a indisciplina…

    Por fim queremos felicitar os colegas que intervieram nesse debate da RTP e que conseguiram colocar “o dedo na ferida” em muitos dos problemas de base que afetam, no terreno, a classe docente, em particular os colegas Luís Braga, Paulo Guinote e a Mónica Morgado.